O que para alguns foi a oportunidade de se surpreender com o vestido amarelo da rainha ou comentar "que lindo" era o vestido da noiva, para outros foi mais uma expressão das contradições dos principais jornais do país.
Enquanto o casamento real se desenrolava e ganhava destaque nos canais de televisão locais, uma agrupação de ex-combatentes sobreviventes dos horrores da guerra desistiu não assistir a "boda real" pela TV e satirizou, em forma de protesto, os noivos e todos os aparatos adornosos do pomposo evento.
Nada mais justo. O fato de os argentinos torcerem o nariz para os estrangeiros provenientes de terras britânicas se deve à disputa histórica entre as nações pelas ilhas Malvinas, com o agravante do desenrolar de uma guerra, em 1982, que custou as vidas de muitos jovens recrutas, assim como a moral do país latino-americano.
Cada vez com mais frequência, a presidente Cristina Kirchner reivindica, em reuniões com organismos internacionais, a autonomia argentina sobre as ilhas do Atlântico Sul, como já comentado neste post do blog.
A imprensa local, em sua maioria, foi um dos pilares que mantinham parte da opinião pública favorável à ditadura cívico-militar (1976-1983), que deixou um saldo estimado de 30 mil mortos e desaparecidos no país.
Fomentou, consequentemente, o patriotismo nacional, tão reivindicado pelos militares argentinos para justificar o envio de jovens argentinos às terras gélidas em questão, onde acabaram morrendo no conflito.



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